Resenha do Culto da Noite de Domingo
28/06/2026
A estratégia da tentação
Lucas 15:11-20
Nessa parábola, o Senhor descreve o drama da tentação. É uma parábola muito rica, que nos leva a meditar profundamente por vários ângulos.
Em um deles, o Senhor nos descreve o drama da tentação, o drama do pecado e o drama da queda. O que a queda causou na vida do ser humano. O que levou o ser humano a todo sofrimento foi a queda.
Jesus está aqui descrevendo a alma do pecador desajustado.
A tentação tem as suas estratégias. O tentador tem as suas estratégias. Ele não muda as estratégias, porque elas funcionam. Elas continuam levando o ser humano à degradação, a ser algemado pelo pecado.
A tentação sempre tem pressa.
Aquele jovem olha para o pai, que está ali, provendo em abundância tudo de que ele precisava. Mas ele diz:
"Dá-me o que é meu. Quero minha parte agora."
Isso não é diferente nos dias de hoje.
Percebemos a raiz do pecado: a insatisfação.
O que levou o homem à queda foi a insatisfação. Estavam no paraíso, em plena comunhão com Deus. Deus proveu tudo de que eles precisavam. Deus só os privou do fruto de uma árvore. Eles tinham um jardim inteiro para desfrutar, mas a tentação os direciona exatamente para o fruto que Deus havia proibido.
Isso revela a insatisfação do ser humano.
Qual era a insatisfação desse filho, que vivia em plena abundância?
A insatisfação cria um ambiente de tédio. A insatisfação leva à improdutividade, e a improdutividade leva ao desemprego.
Assim é em todas as áreas da vida: com a casa, com o trabalho e com o casamento.
Quantos só descobrem o cônjuge maravilhoso depois que o perdem? Enquanto está ao lado, não percebem.
O sistema do mundo estimula a insatisfação. O tempo todo, ele cria uma sensação de que falta alguma coisa.
A insatisfação de Eva.
A insatisfação de Adão.
A insatisfação de Saul.
Saul foi um grande rei de Israel. Deus o estava abençoando. A nação prosperava. Mas, um dia, ele ficou insatisfeito. Não bastava para ele ser rei; quis ocupar o lugar de Samuel. Então, transgrediu a Lei de Deus.
A insatisfação é assim: leva o sujeito a querer ocupar o lugar do outro.
Deus o puniu. Ele perdeu o reino por causa da sua insatisfação.
A insatisfação de Lúcifer.
A Palavra de Deus diz que Lúcifer era um anjo de luz. Ele tinha acesso a Deus. Na sua queda, levou consigo um terço dos anjos. Tinha muita influência, mas, na sua insatisfação, quis tomar o lugar do próprio Deus.
A tentação gera essa insatisfação, que cria um ambiente de tédio.
Essa insatisfação tem destruído casamentos, famílias e relacionamentos. Leva a abandonar o próprio Deus.
A insatisfação do homem sem Deus o leva a buscar felicidade onde jamais a encontrará, porque o homem só encontra paz e sentido para a vida em Deus.
O homem sem Deus é um eterno insatisfeito.
A tentação é sedutora.
"Dá-me o que é meu!"
Veja bem a ingratidão.
O filho diz ao pai:
"Dá-me o que é meu."
A tentação diz a ele:
"Você é filho. Vá lá e pegue o que é seu."
O pai amoroso é colocado na condição de quem está privando o filho de ser feliz.
Não foi essa a condição em que a serpente colocou Deus diante dos olhos de Eva?
Só que o próprio ato de transgredir a Palavra de Deus já era uma escolha pelo mal.
Aquele jovem agora se vê como vítima de uma sociedade opressora. Não foi ele quem trabalhou para conquistar nada, mas agora quer o que é dele.
A tentação cria um mundo ilusório.
Ele nunca se realiza, porque a raiz do problema é a insatisfação.
A tentação destrói o futuro, famílias e amizades. Separa cônjuges e separa o homem de Deus, porque o pecado é cometido contra um Deus amoroso.
Deus abençoa, mas Deus não faz trocas. Deus não faz negócios com ninguém.
Não foi um tropeço. Foi algo arquitetado por aquele jovem. Foi um plano.
Ele chega ao pai e diz:
"Dá-me o que é meu."
E o pai dá.
Então, aquele jovem foi para longe.
A tentação é assim: ela leva você para longe. Você vai se distanciando daquilo que é puro, daquilo que é justo e daquilo que é nobre.
Aquele jovem abandona a casa do pai porque quer viver uma vida sem limites: longe dos pais, longe da igreja e longe de Deus.
O texto diz que ele foi viver dissolutamente, na lama dos bordéis, do jeito que o diabo gosta.
Mas o pecado tem cheiro de pecado. O pecado leva o homem para uma terra distante. Gasta sua saúde, muitas vezes seus bens e sua dignidade, até que ele encontra um deserto.
Todo mundo passa por um deserto na vida. Se você ainda não passou, ainda vai passar.
A diferença é com quem passamos pelo deserto: com ou sem Deus.
Ao passar pelo deserto com Deus, Ele supre nossas necessidades nos momentos mais difíceis da vida.
Quem passa pelo deserto com o diabo não recebe nada, porque o diabo não dá nada para ninguém.
João 10:10
O diabo só tira. Ele rouba os seus sonhos. Ele rouba o melhor que Deus lhe deu.
O diabo, o tentador, leva você para longe de Deus. Ele leva você para o deserto.
Aí vem a fome.
Aquele jovem saiu cheio de dinheiro, mas foi viver nas orgias, nas festas e nos bacanais.
No dia em que acabou o dinheiro, acabou também a amizade.
Até que lhe restou apascentar porcos.
Os amantes vão embora.
Os amigos desaparecem.
Quem deixa um pai encontra um patrão.
Quem deixa uma casa encontra um chiqueiro.
Quem deixa um cônjuge encontra um amante.
O dinheiro acaba.
A beleza passa.
Tem muita gente enganada.
Tem muito homem caindo no canto da sereia.
Cuidado.
A tentação leva você ao vazio. Leva você ao pecado. Ela ronda almas e derruba destinos.
É muito diferente passar pelo deserto com Deus.
Com Deus é provação; com o diabo é tentação.
E a tentação, sem Deus, leva à perdição.
Aquele jovem estava perdido. Ninguém lhe dava nada.
Então, chega um momento em sua vida em que ele cai em si.
"Os empregados do meu pai são bem acolhidos. Eu vou voltar para meu pai."
Aqui está a beleza da graça.
Graça é Deus dando a você o que não merece.
A mais profunda expressão da graça de Deus é o perdão.
Aquele filho sai chutando a porta, dizendo que o pai estava morto para ele.
Quando volta, aquele pai recebe de volta um mendigo, maltrapilho, contaminado pelo pecado.
É assim que Deus recebe o homem de volta.
Deus se alegra quando aquele filho volta para casa.
Lucas 15:22-24
Isso é perdão.
Deus ama você como nenhum outro ser o ama.
Não foi isso que nós fizemos com Deus?
Deus nos criou. Deus preparou um lugar maravilhoso para nós.
Mas nós O abandonamos. Nos afastamos d'Ele. Ignoramos a Sua herança.
Mas, quando estamos maltrapilhos por causa do pecado, Ele nos recebe com alegria.
Ele enviou nosso Irmão Mais Velho para vir ao mundo e nos buscar de volta para casa.
Foi isso que Jesus fez.
Jesus é o Filho Primogênito dentre muitos irmãos.
Aquele jovem, quando saiu chutando a porta, não pensou no pai.
Agora ele está de volta.
E recebe do pai o perdão.
Perdão é o ato gracioso de um Pai que ama.
E Deus nos ama profundamente.
Quem volta para a casa do Pai arrependido cai em si e é recebido como filho.
O pai o aguardava todos os dias.
Há festa nos céus quando um pecador se arrepende.
Porque Deus ama você.
Mas quem morre como mendigo é sepultado como indigente.
Isaías 55:6-7
Volte-se para Deus.
Deus é rico em perdoar. Deus perdoa você.
Volte para Deus.
Mateus 11:28-30
O pecado gera insatisfação, mas a graça de Deus gera descanso e esperança para a sua alma.
A estratégia da tentação é levar você para longe de Deus.
Mas a estratégia de Deus é resgatar você.
Deus veio por amor a você.
Deus enviou nosso Irmão Mais Velho para nos buscar e nos levar de volta para a Casa do Pai.
Deus criou para nós um novo céu e uma nova terra.
Deus preparou para nós um novo lar.
E um dia nós voltaremos para lá, todos os que cremos no Senhor Jesus.
Eu vou estar lá.
E você?
Pastor Nélio Monteiro
IBPS