Resenha do Culto de quarta-feira
28/10/2026
O legado da Reforma - Somente a fé.
Gálatas 2:16 e Romanos 1:16-17
O primeiro ponto que fica evidente para todos nós é que ninguém pode ser considerado justo diante de Deus.
Ninguém pode por suas obras, alcançar os céus.
Nada podemos fazer para contribuir com a nossa salvação.
O crente deve fazer obras de ajuda, socorro aos necessitados, mas essas obras não são suficientes para nos dar méritos diante de Deus.
Nem oferta, nem jejum, nada.
Não conseguimos cumprir a lei de Deus como Ele estabeleceu.
Vez ou outra percebemos isso.
Isso foi o start, o início da Reforma Protestante.
Quanto mais Lutero fazia, mais ele se sentia insuficiente.
Ele foi tomado por uma crise profunda. Um desespero espiritual.
Um monge! E ele se propôs a longos jejuns!
Se propôs a se isolar da comunidade.
Ele se propôs a confessar continuamente os seus pecados, no confessionário, porque ele tinha uma consciência afligida pelos seus pecados.
Quanto mais ele tentava ser perfeito, mais ele percebia a santidade de Deus, e a profundidade da sua imperfeição. O que o levava ao desespero.
Eu penso que Lutero é levado a se juntar a Paulo, entendendo ou caminhando dentro de um processo de entendimento, de que nós não conseguimos nos salvar.
Isso podemos constatar quando olhamos para dentro do nosso coração.
Por obras da lei, ninguém será tido como justo diante de Deus.
Isso, porque fomos atingidos terrivelmente pelo pecado.
Lá na queda, nós fomos terrivelmente danificados pelo pecado.
A gente parece um carro desalinhado.
Estamos tendenciosos a nos desviar daquilo que Deus quer para nós.
O pecado nos desconfigurou, desde a queda.
Por isso, se fossemos alcançar os céus pelos nossos méritos, por penitências, por confissões, por jejuns, ao contrário do que falavam antes da Reforma Protestante, seria impossível.
Paulo, muitas vezes, expressa esse entendimento.
Se você pegar Romanos do capítulo 1 até o 3, Paulo coloca diante de nós um espelho gigante.
E esse espelho mostra a nossa realidade.
Esse testemunho de Paulo na Palavra de Deus, deveria ser suficiente para pensarmos que não conseguimos nos salvar.
É por isso que Lutero, ao ler esse texto de Romanos, ele se desesperava.
Paulo nos coloca esse espelho para dizer para nós que não somos tão bons quanto pensamos.
Nós não somos justos. Nós não merecemos.
Romanos 3:23
Será que não nos falta hoje, esse senso de inadequação?
Esse senso de que não somos bons o suficiente.
Será que o caminho para uma nova Reforma, não passaria por um quebrantamento como esse?
Será que não nos falta uma convicção de pecado?
Essa aflição de alma para Lutero, ela foi terrível. Mas foi o start para, ele perceber, que ele precisava de um Salvador.
Que ele precisava de algo que não estava nele.
Deixamos de nos entristecer, de chorar pelos nossos pecados. De sermos afetados por essa convicção, da Santidade de Deus, da Glória de Deus e da nossa inadequação.
Isaías 6
Vemos uma experiência maravilhosa. Isaías está impetrando vários ais.
Mas quando ele enxerga a Santidade de Deus, ele não olha mais para as pessoas. Ele olha para dentro de si. E diz:
" Ai de mim, estou perdido, pois vi o Rei."
Por isso, a necessidade de orarmos.
" Senhor, aviva-nos!"
Ao se deparar com o texto de Romanos, Lutero foi liberto do seu fardo. Foi-lhe aberto os olhos espirituais. Lutero enxergou que somente pela fé, não a fé em qualquer coisa; mas somente pela fé em Cristo.
Somente a fé em Cristo nos aproxima dos céus.
Somente a fé em Cristo nos transforma em cidadãos do Reino.
Somente pela fé em Cristo podemos encontrar esperança. Esperança que não encontramos em nós mesmos.
Somente a fé em Cristo nos torna justos. Pois somente pela fé em Cristo nos apropriamos daquilo que Cristo fez, daquilo que Cristo é.
A doutrina da justificação pela fé, diz respeito ao fato de que nós, sem a fé em Cristo, estamos expostos a ira de Deus.
Aquele que não crê em Cristo como seu Único e suficiente Salvador, está exposto a ira de Deus.
A fé em Cristo é o único meio pelo qual, a justiça de Deus pode ser concedida a nós pecadores.
É por isso, que ao ler Romanos, Lutero entendeu que a justiça de Deus se revela no Evangelho.
Quando ele se apropriou disso, as portas dos céus se abriram.
O Evangelho tornou-se, de amargo, para doce.
Somente pela fé podemos nos aproximar de Deus.
Somente a fé em Cristo, na Sua obra, na Sua vida e na Sua ressurreição.
A justiça de Deus que é imputada a nós, ela só acontece pela fé que depositamos em Cristo.
Justificação é um ato forense. É o fato de Deus falar que é você é justo. Não pela nossa justiça, mas porque você depositou a fé em Cristo. Agora, Deus pode te contar como alguém justo.
A justificação é um presente recebido pela fé.
Gálatas 3:24
Paulo vai dizer que a lei teve esse papel, de tutor.
Para cuidar, para educar, para corrigir.
A lei nos conduz para Cristo, que cumpriu todas as exigências da lei.
Cristo, que foi o Homem perfeito no nosso lugar.
Por isso, não tem penitência, não tem jejum, não há caridade, não há sacramento que nos torne aceitáveis diante de Deus.
As nossas melhores obras estão corrompidas pelo pecado.
Somente pela fé em Cristo Jesus, é que podemos nos aproximar de Deus.
Por isso a justificação é tão importante para nós.
A salvação somente pela fé em Cristo Jesus, sem que possamos contribuir com alguma coisa; dentro daquele contexto, era um golpe no orgulho humano, que tenta merecer o favor de Deus.
Mas é um bálsamo, para aqueles que se sentem inadequados, para aqueles que se sentem fracos.
Ela é um orgulho para aqueles que tentam alcançar os céus com suas obras.
Mas é um bálsamo para aqueles que reconhecem a sua falência espiritual diante de Deus.
Essa fé no Cristo ressuscitado, é um reconhecimento que não temos nada.
Não temos como barganhar com Deus.
O que importa é que a pessoa deposite fé e confiança em Cristo.
Não é de uma fé intelectual, mas de uma fé profunda. Que se une a Cristo.
Que abraça Cristo como seu Senhor, como seu Salvador.
É a fé que te faz ser contado como justo, ser justificado ao crer em Cristo Jesus.
Ao crer em Cristo, Deus nos conta como justos dado os méritos de Jesus Cristo.
Recebemos por imputação a Sua justiça.
Recebemos os benefícios da Sua morte e da Sua ressurreição.
A Sua morte foi por causa dos nossos pecados.
Com Sua morte aplacou-se a ira de Divina. A ira que era contra nós.
Como vivemos diante desse entendimento?
Diante da certeza, uma vez salvos, salvos para sempre?!
Justificados, agora somos salvos.
Como vivemos diante dessa certeza?
Se você é um salvo em Cristo Jesus, você não vai viver de qualquer forma.
Lutero, tinha o cuidado de destacar a justificação como uma doutrina que não exime a obrigação que se tem de obedecer a lei de Deus.
Nós não obedecemos para ser salvos. Uma vez que somos justificados, nos abraços a vida de Cristo.
Aqueles que estão vivendo em pecado, será que foram justificados?
Lutero cria que a justificação é a santificação, embora distintas, estavam unidas.
Elas são inseparáveis.
A santificação não é um ato acabado. É um processo. Ela comporta progresso, melhora. Justificação como causa. Santificação como efeito.
A santificação como parte visível da salvação.
Temos que ter dificuldade com aqueles que evidenciam uma vida distinta daquilo que eles confessaram.
Vivem como se não fossem de fato, unidas a Cristo.
Fomos salvos de verdade?
Estamos unidos a Cristo?
Cremos em Cristo de verdade?
As pessoas quando olham para você, conseguem identificar os frutos de arrependimento?
Não existe uma pessoa justificada, que não esteja sendo santificada.
Será que estamos crescendo em santificação?
Romanos 6:1-4
Nós podemos perceber quando estamos diante de uma pessoa que foi justificada, se ela vive em novidade de vida.
Se ela está amadurecendo.
Se ela está com a mente de Cristo.
Esses pessoas que estão sendo santificadas, que se uniram a Cristo, elas se preocupam.
Paulo vai dizer da impossibilidade daqueles que se uniram a Cristo, viver em pecado.
Justificação sim, é uma obra acabada. Mas a santificação propõe melhora, progresso.
Lutero escreveu que a fé é uma obra Divina em nós. Que nos modifica, nos faz renascer de Deus, mata o velho Adão, transformando-nos em pessoas diferentes; de coração, sentimento, mentalidade, através do Espírito Santo de Deus.
Será que conseguimos experimentar isso, essa mudança interna?
Queria que nessa noite, olhássemos para nós mesmos. Pensar na Reforma Protestante e pensar:
" Senhor, quais áreas preciso reformar em minha vida?"
Precisamos sim, reformar.
Tiago nos leva a olhar isso.
Não a fazer obras para alcançar os céus. A Reforma Protestante endossou que não conseguimos alcançar os céus com as nossas obras.
Somente a fé. Somente Cristo. Somente pela graça de Deus. Somente pelas Escrituras. E glória somente a Deus.
Que possamos avaliar a qualidade da nossa fé.
Cremos em Cristo de verdade?
Temos fé em Cristo?
Podemos nos apropriar da vida que Ele tem para nós como filhos de Deus?
A fé em Cristo é a raiz para a santidade.
Você não vai conhecer um crente que não foi justificado, que não esteja sendo santificado.
As pessoas ao verem a sua vida, podem dizer:
" Eis aí um salvo em Cristo Jesus?"
Pastor Ryan Sousa
IBPS