Resenha do Culto de quarta-feira
07/10/2026
“Quando a Graça é rejeitada”
João 18:12-14
Tente imaginar aquele momento em que Jesus está na cruz entre dois ladrões!
Eram dois criminosos: um à direita e o outro à esquerda. Eles representam a humanidade corrompida e pecadora.
Nenhum dos dois merecia a graça de Deus. Ambos mereciam estar na cruz, menos Jesus.
Mas ali estão aqueles dois homens ao lado de Jesus.
E o que estava à direita olha para Jesus, reconhece Nele o Salvador e faz uma oração:
“Senhor, lembra-Te de mim quando entrares no Teu Reino.”
E Jesus diz:
“Hoje mesmo você vai estar comigo no paraíso.”
Mas havia outro à esquerda, e esse afrontava Cristo na cruz, mesmo estando na situação em que estava, a ponto de ser repreendido pelo que estava à direita.
Um foi alcançado pela graça de Deus. Não merecia, mas foi alcançado.
O outro também não merecia, mas rejeitou a graça de Deus e foi condenado.
Se pensarmos sobre salvação, ninguém merece.
Se pensarmos sobre santidade, quem é santo, no sentido de não ter cometido nenhum pecado?
É pela graça que estamos aqui, cultuando a Deus.
Nós não merecemos.
Por isso, nosso olhar precisa estar voltado para Jesus como Senhor e Salvador.
No texto que acabamos de ler, Jesus é preso e amarrado.
Havia uma guarda ali e mais uma multidão.
Para que aquele espetáculo de horror?
Ali, eles prendem Jesus e O levam perante as autoridades judaicas.
Aqui se fala de Anás, o sumo sacerdote, escolhido dentre o sacerdócio levítico.
Por algumas circunstâncias impostas pelos romanos, Caifás assumiu o lugar dele.
Então, para os romanos, o sumo sacerdote era Caifás. Mas, para os judeus, uma vez que quem chegava a ser sumo sacerdote o era por toda a vida, eles levam Jesus primeiro até Anás.
E ali há um pré-julgamento de Jesus.
Depois disso, Ele é levado até Caifás, que era reconhecido como sumo sacerdote.
E a gente vai perceber um ato de rejeição da graça de Deus.
Eles rejeitam o Agente da Graça.
Isaías 53 vai falar do Servo Sofredor. Todo o Antigo Testamento aponta para o Ungido de Deus. Nos Salmos, fica muito claro que esse Servo Sofredor é o Agente da Graça.
Seria Ele quem morreria, quem levaria sobre Si os nossos pecados.
Mas eles prenderam o Agente da Graça, o Senhor Jesus, porque Ele os confrontava.
A verdade confronta. A verdade incomoda.
Jesus não só pregava a verdade. Ele é a Verdade.
Imagine aquele jovem, de trinta e três anos, pregando com uma autoridade que impactava as multidões.
Aquele jovem deixava muito clara a Sua divindade, libertando pessoas e curando enfermos.
Sua pregação impactava, a ponto de multidões permanecerem um dia inteiro, ouvindo-O no deserto.
A mensagem de Jesus alcançava a alma de tal forma que as pessoas não conseguiam sair de perto Dele.
Era algo impressionante.
Por outro lado, os religiosos da época haviam se corrompido. Quebraram a aliança que fizeram com Deus.
Não estavam preocupados com a multidão sofredora, que estava como ovelhas que não têm pastor, sem nenhum cuidado.
Não assumiam a posição de pastores do rebanho.
Eles não pastoreavam o rebanho.
Eles amavam a posição que ocupavam e o que essa posição lhes proporcionava.
E, quando Aquele jovem começa a pregar o Evangelho, a ministrar com autoridade, a curar o povo, a libertar o povo e a ressuscitar pessoas, isso os ameaçava.
Quem vive de mentiras vê a verdade como uma ameaça.
Sempre desejam calar aqueles que falam a verdade.
Sempre desejam executar aqueles que vivem a verdade.
Não foi diferente com o próprio Cristo.
Jesus os confrontava com a verdade. Ameaçava suas pretensões políticas.
Anás e Caifás se preocupavam mais com suas ambições políticas do que com a responsabilidade de levar o povo a Deus.
Hoje não é diferente.
A missão de um pastor é nobre quando ele tem a consciência de que seu papel é levar o povo aos pés da cruz de Cristo.
Não cabem ambições políticas.
Um dos princípios batistas é a separação entre Igreja e Estado.
Quando uma liderança religiosa se corrompe e se afasta da Palavra de Deus como regra de fé e prática, começa a buscar mestres que não a confrontem com a verdade, mas que passem pano para sua vida pecaminosa.
Pessoas que quebram a aliança com Deus deixam de ser agentes da justiça e tornam-se instrumentos de Satanás.
Quando alguém deixa de ter a Palavra de Deus como regra de fé e prática, quebra a aliança com Deus e passa a ser instrumento do próprio diabo para desviar as pessoas do Deus da Verdade.
O texto afirma que Cristo foi levado à casa de Anás e Caifás durante a noite.
Fizeram isso porque tinham pressa em condenar Jesus. Então, Anás vai julgar Jesus.
Tanto Anás quanto Caifás promovem um julgamento injusto. Transgridem as leis dos homens, mas, sobretudo, a lei de Deus.
De acordo com as leis judaicas, eles usam testemunhas forjadas.
Mateus 26:59
Procuram alguém disposto a levantar um falso testemunho para condenar Jesus à morte.
Quando aqueles que devem promover a verdade e a justiça se afastam delas, tornam-se servos da injustiça.
Quando alguém perde o temor de Deus, é capaz de qualquer coisa.
Porque usurpa o lugar de Deus no coração das pessoas.
Esse é o perigo.
Quando vão julgar Jesus, eles já têm um veredito.
João 11:50
Caifás diz isso. Esse homem já tinha um veredito para Jesus, dado antes, logo após Jesus ressuscitar Lázaro.
Jesus manda tirar a pedra do túmulo de Lázaro. Ele chama Lázaro para fora. Ele ressuscita Lázaro, e Lázaro começa a testemunhar, impactando uma multidão que começa a crer em Jesus Cristo.
E os principais sacerdotes não vão lá para avaliar.
Porque eles tinham se afastado das Escrituras.
Era dever deles se certificarem de que Jesus não era, de fato, o Messias. Como, de fato, Ele é.
Mas eles não fizeram isso.
Quando Lázaro começa a testemunhar acerca de quem é Jesus lá no céu, e as multidões começam a crer em Jesus, qual é a atitude deles?
“É melhor que morra um só homem pela nação e não pereçam todos.”
Aquele que assumia o posto de sumo sacerdote era usado, uma vez por ano, para trazer uma profecia.
Zacarias, quando vai diante do altar prestar culto a Deus, recebe de Gabriel a revelação de que Maria seria mãe de Jesus.
Caifás era o sumo sacerdote.
Quando ele faz essa declaração, era uma revelação da parte de Deus.
Ele já estava afastado das Escrituras, e Deus revelava, através dos próprios lábios de Caifás, que Jesus é a revelação da Graça.
E Caifás, como sumo sacerdote, condena aquilo que ele mesmo havia dito.
Apesar da afirmação que ele mesmo fez, Caifás condena Jesus.
Com base na afirmação de um sacerdote, eles condenam um inocente.
Eles já tinham decidido matar Jesus. Só buscavam uma oportunidade.
Com esse ato, rejeitaram a graça de Deus.
E, assim, rejeitaram o Agente da Graça.
Todas as vezes que o homem rejeita a Cristo, está rejeitando a graça de Deus.
João 3:15-18
Portanto, aquele que não crê em Jesus já está condenado, porque não crê no Agente da Graça. Não recebe a graça de Deus.
A graça é um favor imerecido que Deus nos concede sem que o mereçamos.
Você merece a Graça?
Não. Você merece a cruz.
Nós recebemos a Graça quando cremos em Jesus.
João 18:24
Caifás era o sumo sacerdote.
Ele revelou que era necessário que um só homem morresse para que toda a nação não fosse condenada.
Essa revelação aponta para o Messias Sofredor.
Isaías 53:1-5
Isaías começa: “Mas quem creu em nossa pregação?”
João 18:19-24
Quando Jesus é julgado, Caifás quer saber acerca da doutrina, dos ensinos e dos Seus discípulos.
Jesus responde que tem pregado Sua mensagem no templo.
Caifás não queria a verdade. Ele queria encontrar uma forma de condenar um inocente.
Ele não queria saber qual era a mensagem de Jesus.
Não é assim hoje?
Quantos rejeitam Cristo sem conhecer a mensagem de Jesus!
Não conhecem e rejeitam a graça de Deus. Rejeitam a revelação da Graça.
Mesmo confrontados com o poder da divindade de Jesus, eles se recusavam a crer.
Jesus tinha ressuscitado Lázaro!
Quem pode ressuscitar mortos, senão Deus?
Jesus havia libertado pessoas.
Quem pode libertar, senão Deus?
Eles rejeitaram a graça de Deus ao rejeitar a revelação de Deus.
“É necessário que um só homem morra, para que não pereça toda a nação.”
Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades.
Por isso, Jesus foi à cruz.
Essa é a grande revelação.
Jesus pregou abertamente na sinagoga e no templo.
Mas, como profetizou Isaías, quem deu crédito à Sua pregação?
Ali havia testemunhas oculares da Sua pregação, dos Seus ensinos e das Suas curas.
Muitos ouviram as mensagens de Jesus, mas não deram crédito.
Não foram sensíveis à revelação de Deus.
Não era essa a função deles como pastores? Preparar o povo para recebê-Lo?
Se formos aplicar isso hoje, a Igreja do nosso tempo precisa estar preparada para receber Jesus, porque Ele vai voltar.
Por isso, insistimos tanto em trazer os sinais que estão ocorrendo no nosso tempo.
Essa é a nossa missão.
Jesus disse:
“O meu Reino não é deste mundo.”
Eles haviam abandonado as Escrituras.
Assim, rejeitaram o Evangelho da Graça de Deus.
Não é diferente nos dias de hoje.
Os falsos profetas atraem multidões atrás de si porque oferecem o que as pessoas querem ouvir.
O Evangelho da Graça de Deus nos confronta a buscar uma vida de santidade.
Ele nos aponta o céu. Ele nos leva à justiça, à graça e à compaixão.
Mas a multidão quer os tesouros da Terra.
Quem mais falou sobre o inferno foi Jesus.
Ele foi claro.
Cuidado! A diferença entre o verdadeiro e o falso pastor é que o verdadeiro pastor aponta para o Pastor Divino, que é Cristo. Sua mensagem é cristocêntrica.
O falso pastor busca seus próprios interesses.
Em vez de defender a vida, promovem a morte. Em vez de condenar a injustiça, justificam-na com um verniz de religiosidade.
Não se esqueça do que Jesus nos ensinou:
“É sim, sim. Não, não. O que passa disso é coisa do diabo.”
Por isso, temos que ter cuidado.
Esses tentam justificar o injustificável, distorcendo as Escrituras Sagradas.
Quebram sua aliança com Deus. Assim, rejeitam a graça de Deus, rejeitando o senhorio de Cristo e o Evangelho da Graça de Deus.
O que fazer neste tempo que estamos vivenciando para não cair nesse mesmo erro?
1. Crer no Senhor Jesus Cristo como Senhor e Salvador.
Quem disser qualquer coisa contrária àquilo que o Senhor disse está falando algo proveniente do diabo.
2. Não idolatrar homens.
Há uma multidão idolatrando homens que se apresentam como se fossem homens de Deus, mas são enganadores.
Basta olhar para a vida deles.
Não idolatre homens; adore unicamente a Cristo.
É o Evangelho de Cristo que devemos propagar.
O Evangelho da Graça é o Evangelho da cruz. É o Evangelho da busca pela santidade. É esse o Evangelho de Cristo.
3. Estudar as Escrituras Sagradas para não incorrer no risco de rejeitar o Deus de toda a Graça.
Aqueles homens condenaram o Agente da Graça.
Queridos irmãos, não rejeitem a graça de Deus.
A graça de Deus me confronta. Ela me mostra que sou um pecador que precisa de um Salvador.
A graça de Deus me encoraja a imitar o Senhor.
A graça de Deus me leva a ver o preço que foi pago pela minha salvação.
Ela me leva a ver que não sou merecedor do Reino de Deus e que só tomo posse dele mediante a fé total e exclusiva no Filho de Deus.
Quando a Graça é rejeitada, o que resta sobre aqueles que a rejeitam é a condenação eterna.
Que o nosso olhar esteja no Deus de toda a Graça.
Amém?
Pastor Nélio Monteiro
IBPS