Resenha do Culto de Quarta-feira
15/07/2026
"Quando a Graça abre os nossos olhos"
João 9:1-3
A pergunta dos discípulos a Jesus nos dá a oportunidade de desmistificar algo comum no pensamento daquele povo e que, muitas vezes, também está presente em nossos pensamentos.
Talvez, pela forma como João apresenta o relato, pareça ser um encontro aleatório. Mas sabemos que nada é aleatório quando se trata de Deus.
Naquele momento, Jesus olha para aquele homem.
Os discípulos perguntam a Jesus se aquela condição era consequência de uma maldição hereditária:
"Quem pecou, Jesus? Foram seus pais ou foi ele?"
Jesus responde:
"Nem os pais, nem ele. Ele está dessa forma para que, neste momento, se manifeste a obra de Deus."
Existe um paralelo entre o sofrimento e a glória de Deus.
Muitas vezes passaremos por angústias, aflições, portas que não se abrem e situações difíceis. Isso faz parte da vida humana.
Não é Deus quem coloca grandes problemas em nosso caminho. Mas, muitas vezes, Ele permite que eles venham.
Quem trouxe toda sorte de problemas, aflições e angústias foi o pecado humano.
Mas Deus utiliza situações como essa para manifestar a Sua glória, a Sua graça e o Seu poder.
Em Sua sábia providência, o Senhor permite que as dificuldades batam à porta porque, através delas, temos a oportunidade de ver a manifestação da graça, da misericórdia e do poder de Deus.
Os sofrimentos da vida também constituem uma escola para a nossa alma.
Muitas vezes, é diante dos sofrimentos da vida que dobramos os joelhos para orar.
Muitas vezes, é diante dos sofrimentos da vida que buscamos a Deus como nunca antes. Recordamo-nos de que existe um Deus que pode mudar a nossa história.
Vivemos um tempo em que muitas pessoas só buscam a Deus no aperto.
É tão maravilhoso nos relacionarmos com o Deus a quem servimos que aquele que O busca somente no dia mau não conhece a beleza da Sua presença.
Deus nunca desejará o mal para os Seus filhos.
Mas, muitas vezes, permite o sofrimento para que possamos ser tratados por Ele.
Abraão foi levado por Deus ao monte para sacrificar o seu filho.
Imagine a angústia em seu coração, o sofrimento, apesar da fé!
Elias passou por momentos emocionalmente muito difíceis.
Daniel, por manter a sua integridade, foi lançado na cova dos leões.
José, por permanecer fiel a Deus e ser próspero na casa de Potifar, foi levado injustamente para a prisão.
Grandes homens de Deus passaram por dias maus.
Mas existe algo em comum entre todos eles: a fidelidade permaneceu em meio ao dia mau.
E o fim da história foi a prosperidade e o cuidado de Deus, que mudaram a sua sorte em meio ao sofrimento.
Qual é o seu sofrimento hoje?
O mesmo Deus que cuidou de todos esses grandes homens é o Deus que cuida do seu.
Estamos vendo um homem que sofre.
Não sabemos há quantos anos.
Um homem que mendigava e que, muitas vezes, era considerado à margem da sociedade.
Alguém que não era visto. Desprezado, considerado pecador, alguém punido por Deus e também pelos homens, segundo a visão do seu contexto.
Mas a Bíblia diz que Jesus olhou para o sofrimento dele.
Jesus olha para o seu sofrimento.
Jesus olha para a dor da sua alma.
João 9:4-7
Nós somos chamados para fazer a obra de Deus.
Jesus diz algo muito interessante:
"É necessário que façamos a obra de Deus enquanto é dia, porque a noite vem, quando ninguém poderá trabalhar."
O "dia", aqui, é uma metáfora para a vida, para o tempo e para as oportunidades. É uma metáfora para as oportunidades diárias que Deus nos concede ao despertar para um novo dia.
Se você é filho de Deus, existe uma missão entregue às suas mãos.
Você é um enviado de Deus.
Alguém chamado para fazer a diferença, aqui e agora.
Que possamos construir, para a glória de Deus, obras que tenham valor para a eternidade.
O tempo é aqui e agora.
O que você tem feito com o tempo que Deus lhe tem dado?
O que você tem feito com as oportunidades que Deus lhe concede?
O que você tem feito enquanto é dia?
Seja intencional na sua vida, na sua fé e no seu trabalho.
O texto diz que Jesus cospe no chão e faz barro.
Isso nos remete à criação, quando Deus tomou o barro e formou o homem, como um artesão.
Aqui, Jesus coloca aquele barro sobre os olhos daquele homem.
Onde havia desesperança, agora a esperança começa a surgir.
Deus está restaurando aquilo que as consequências do pecado humano destruíram.
Aquele homem que não via, agora, pelo toque da graça, enxerga pela primeira vez.
Um homem que só conhecia a beleza do céu pelo que lhe contavam.
Conhecia o mar apenas pelo barulho das ondas.
Conhecia as pessoas somente pelo que lhe diziam.
Mas agora Jesus está fazendo tudo novo outra vez.
É isso que Ele faz.
Quando Jesus se encontra conosco, Ele pode transformar aquilo que você acredita que não tem mais jeito.
Ele é Deus.
Naquele dia, Jesus restaurou a vida, a dignidade e a história daquele homem.
João 9:18-34
Não retenha o seu testemunho.
Deus fez, Deus faz e continuará fazendo coisas grandiosas.
Nada é impossível para Deus.
Muitas vezes, as angústias batem ao nosso coração porque nos esquecemos das maravilhas que Ele já realizou.
Pense no que Ele já fez na sua vida.
Pense no que Ele já fez na vida de pessoas que você conhece.
Você tem testemunhado dos feitos de Deus?
Precisamos contar ao mundo as transformações que Deus tem operado em nossa vida.
Somos chamados para ser testemunhas dos feitos de Deus.
Seja um semeador dos feitos de Deus.
O que Deus fez na sua vida, não guarde apenas para você.
O que Deus está fazendo na sua vida, também não guarde para si.
Testemunhe.
O mundo precisa ouvir dos feitos de Deus.
É isso que esse homem faz.
Seus pais, com medo da reprovação dos líderes religiosos do seu tempo, abandonam o próprio filho à própria sorte.
Mas aquele homem, cheio de coragem, levanta-se como uma voz em meio à repressão religiosa do seu tempo.
Uma voz que não se cala diante do medo.
Que não se cala diante das autoridades.
Porque ele sabe que precisa falar daquilo que viveu.
Do que Deus fez na sua vida.
Do que Deus fez na sua história.
Nós temos memória curta.
Precisamos nos lembrar dos feitos de Deus.
Precisamos testemunhá-los para que outras pessoas também sejam impactadas.
Esse homem se enche de coragem porque sabe que Aquele que o libertou só podia vir da parte de Deus.
Quando a graça abre os olhos, não retenha o seu testemunho.
João 9:35-41
Aquele homem era cego de nascença.
A partir do toque de Deus, agora ele vê.
Mas, muito mais do que a cura física, agora ele enxerga pelos olhos da fé.
Agora ele enxerga pelo espírito, pela alma, através da presença do Espírito Santo em seu interior.
O texto nos diz que ele se encontra com Jesus, e Jesus lhe pergunta:
"Você crê?"
E ele responde:
"Eu creio."
Então, o texto diz que ele adorou a Jesus.
Alguns críticos dizem que Jesus não era Deus; que era apenas um mestre, alguém que realizou grandes obras e muitos milagres, mas não Deus.
Na cultura judaica, aceitar adoração seria considerado uma blasfêmia contra Deus.
E é exatamente essa adoração que Jesus recebe.
Ou Ele é Deus e, por isso, pode receber adoração, ou seria um lunático.
Nós estamos aqui porque cremos que Ele é Deus.
É isso que distingue, naquele momento, um cego de nascença — considerado um pecador — dos fariseus, conhecedores da Palavra.
A cegueira espiritual.
Um não enxergava com os olhos, mas passou a enxergar com os olhos e com a alma.
Os outros enxergavam com os olhos, mas não com a alma.
Ainda assim, ensinavam acerca de Deus.
Estavam presentes na sinagoga e no templo.
Eram conhecedores da Lei e discipuladores das novas gerações.
Deus estava diante deles, e eles não O reconheceram.
Você pode ter o lugar, a igreja, os sacramentos e os ritos.
Pode ter passado pelo batismo.
Mas, se ainda não foi alcançado por Cristo, se a sua resposta ainda não foi "Eu creio", você pode ter tudo e, ao mesmo tempo, não ter nada.
A cegueira espiritual é o que leva religiosos convictos à perdição.
Mas aqui está Jesus, que abre os olhos espirituais para que possamos afirmar, de todo o coração:
"Sim, Senhor, em Ti eu creio."
Quando a graça tocou a vida daquele homem, os seus olhos foram abertos.
E os seus, meu querido irmão? Já foram abertos pelo toque da graça de Deus?
Você pode ter tudo, mas, se não tiver o seu Salvador, não tem nada.
Que possamos orar por aqueles que, mesmo estando no meio da igreja, ainda são cegos espiritualmente.
Tão perto, mas tão longe!
Quando a graça abre os nossos olhos, não apenas as feridas são curadas.
Não apenas o físico é restaurado.
Não apenas a sorte é transformada e as portas são abertas.
Quando a graça abre os nossos olhos, nós podemos enxergar Jesus como Ele realmente é e afirmar, com o grito da alma:
"Eu creio em Ti, Senhor!"
Pastor Gabriel Monteiro
IBPS