Resenha do Culto de quarta-feira
04/11/2026
"Quando a graça transforma a nossa queda em recomeço"
João 13:31-38
Gostaria de pensar a respeito da vida de Pedro e de como as experiências vividas por ele se conectam, de uma forma tão real, à nossa experiência humana.
Pedro era o discípulo que nós queremos ser.
Quando lemos os Evangelhos, percebemos que o apóstolo Pedro sempre está em destaque. Um homem convicto, firme, que certamente foi e estava sendo transformado pelo Senhor Jesus ao longo daquele discipulado.
Um pescador reconhecido e que tinha um bom manejo da sua profissão. E que agora estava se tornando um pescador de homens.
Pedro é um homem que se destaca pela fé.
Mateus 16:13-16
Quando muitos estavam tendendo a abandonar a Cristo Jesus, Jesus deixa evidente, em João 6:66, que é duro segui-Lo. Há necessidade de levar a cruz, há necessidade de abandonar o passado.
João 6:67-68
Ainda em outro momento, olhamos para a experiência de Pedro e o colocamos como um homem de pequena fé. Quando Jesus está caminhando sobre as águas, enquanto os discípulos estão no barco, diante de uma grande tempestade, Pedro vê Jesus e diz:
"Se é o Senhor mesmo, faz com que eu vá."
E o texto nos diz que Pedro começa a andar sobre as águas. Mas fraqueja na fé e começa a afundar. E Jesus o levanta.
Mas quais dos outros onze saíram do barco?
Ninguém!
Pedro se levantou e foi até o Mestre.
Em vários momentos, Pedro se mostra como alguém que está convicto e disposto a viver para a glória de Deus.
No texto que acabamos de ler, antes de Jesus dizer: "Você vai me negar", temos Pedro, mais uma vez, se levantando em meio aos seus irmãos e dizendo:
"Por que eu não posso te acompanhar? Por que eu não posso beber do cálice que o Senhor vai beber? Eu estou pronto a dar a minha vida pelo Senhor."
Naquele momento, o Senhor, que conhece os corações, de forma pedagógica, nos ensina. Ele diz:
"Olha, Pedro, você vai me negar três vezes."
"Senhor, eu jamais vou te negar!"
Pedro tem a convicção que falta em muitos discípulos dos nossos dias: a convicção de que vale a pena servir a Cristo.
Pedro é reflexo do discípulo que nós precisamos ser.
Um homem que se coloca, o tempo todo, à disposição e a serviço de Cristo.
Esse homem que afirma:
"Tu és o Cristo, Filho do Deus Vivo."
Jesus diz:
"Tu és Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha igreja."
Essa revelação foi feita pelo Espírito Santo de Deus.
Naquele momento, o Espírito ainda não habitava permanentemente.
Mas quantas vezes o Espírito toma Pedro e o usa com ousadia!
Um verdadeiro discípulo. Um verdadeiro homem de Deus, disposto a viver para a glória do Todo-Poderoso.
Deus, na pessoa de Cristo Jesus, moldava diariamente a vida de Pedro.
Porque Jesus não olhava para quem Pedro era, mas para quem Pedro se tornaria ao caminhar com Ele.
É exatamente isso que o Senhor Jesus faz conosco.
Se o Senhor levar em consideração os nossos pecados e o nosso estado, estamos perdidos. Mas a Sua maravilhosa graça nos alcançou, mediante a fé no Filho de Deus.
O verdadeiro discípulo de Jesus não é aquele que chega perfeito.
Ele não é perfeito, mas é alguém em processo contínuo de transformação.
Talvez você esteja dando os primeiros passos.
É difícil.
A caminhada só se torna mais fácil quando contemplamos a beleza de Deus na pessoa de Jesus.
E assim entendemos que vale a pena seguir ao Mestre onde quer que Ele esteja.
Essa é a fala de Pedro.
Nós precisamos contemplar a Deus.
O que move Pedro a largar tudo e seguir a Cristo é que ele está contemplando o Filho de Deus.
Ele está ouvindo a voz de Deus.
Deixar tudo para trás, para seguir o Mestre, não é fácil.
Mas vale a pena quando entendemos quem Ele é, o que Ele faz e o que nos aguarda.
E Ele pode fazer isso na sua vida também.
Pedro é o discípulo que nós queremos ser.
Precisamos de mais discípulos assim em nossos dias.
Pedro é o homem que nós somos.
João 18:15-18, 25-27
Então, esse discípulo firme, valoroso, convicto, cheio de entendimento sobre quem Jesus é, está fracassando, errando, caindo.
Este nos parece pequeno.
Não. Humano.
Pedro é o homem que nós somos.
Pedro experimentou, durante três anos, uma caminhada de discipulado com Jesus.
E agora tudo está desmoronando.
O Mestre foi preso. Ele há de ser julgado. Tudo em que acreditamos, tudo o que sonhamos, parece estar caindo.
Quantas atitudes equivocadas nós tomamos nos momentos de aflição!
Quantas palavras equivocadas nós pronunciamos nos momentos de angústia!
A negação de Pedro é diferente da de muitos.
Porque Pedro é um filho que está errando. Pedro é um discípulo que está fraquejando.
Será que somos tão diferentes de Pedro assim?
Será que não negamos o Mestre ao longo dos nossos dias?
O Pedro que decepa a orelha do oficial romano é o mesmo Pedro cujo coração, nesse momento, está abatido.
Nesse momento, a angústia invade a sua alma.
Neste momento, Pedro está negando o seu Mestre!
Será que somos tão diferentes de Pedro?
Será que, no dia de hoje, você não negou a Cristo?
Cristo não se propõe a ser uma esfera da nossa vida.
Muitas pessoas enxergam a vida colocando a si mesmas no centro e tendo, orbitando ao seu redor, diversas pastas: a pasta do trabalho, a pasta da família, a pasta dos sonhos, a pasta do lazer, a pasta da fé.
O cristianismo não propõe uma vida em que Cristo seja uma das áreas, mas uma vida em que Cristo seja tudo em nós.
Não existe a pasta do trabalho sem Cristo, família sem Cristo, lazer sem Cristo, negócios sem Cristo.
Ele está no centro, e as outras coisas é que orbitam ao redor dEle. É assim que deve ser na vida do discípulo de Cristo.
Existem coisas que são indissociáveis de quem somos em Cristo Jesus.
Temos negado ao Mestre em nosso trabalho, em nosso casamento, em nossas finanças, em nossas amizades, em nosso lazer, na maneira como administramos o nosso tempo?
Será que somos tão diferentes de Pedro assim?
Pedro expressa quem somos nós: homens com nossas fraquezas e dificuldades.
E esse apóstolo, o mais proeminente entre os outros onze, está afirmando diante da pergunta:
"Eu jamais O conheci!"
Jesus, pela graça, transforma a nossa queda em recomeço.
João 21:15-17
Eu tenho uma pergunta para você:
Se você fosse comer em um lugar e trouxessem um prato frio, cru e sem sabor, o que você faria?
Devolveria o prato?
Mudaria de lugar?
Não recomendaria?
Eu não falei que você foi a um restaurante.
E se essa comida fosse servida à mesa da sua casa, pela sua esposa ou pelo seu marido? O que você faria?
Você mudaria de família?
Tenho certeza de que não.
A lógica de Deus é diferente da lógica dos homens.
Estamos imersos em uma sociedade do consumo, do descarte.
Se eu não estou feliz com isso, eu descarto!
Relacionamentos fragilizados.
Uma sociedade do descarte.
Tudo é descartado.
Ainda bem que a lógica do Reino de Deus não segue esse padrão.
Jesus não descarta Seu filho quando ele erra.
Pedro havia negado Jesus.
Na nossa concepção, esse homem estava inválido para ser um apóstolo. Não cumpria mais os requisitos.
Mas nós temos um Jesus que se assenta com esse homem.
Da mesma forma que Pedro O nega por três vezes, por três vezes Jesus lhe pergunta, para restaurar a sua alma e lhe dar um novo começo.
Aqueles outros estavam por ali, mas Jesus estava em um momento de intimidade com Pedro.
O Mestre restaurava a sua alma naquele momento.
O Senhor Jesus estabelece aquele que foi a maior liderança de Jerusalém como Seu pastor.
O discípulo de Cristo também é um homem. É uma mulher. São pessoas cheias de falhas, que cometem seus deslizes.
Existe uma grande diferença entre aquele que é filho de Deus e aquele que não é.
Aquele que não é filho de Deus vive o pecado e o abraça com gosto. Ele ama o pecado, e não a Jesus. Ele ama a satisfação do eu, e não ao Mestre. Ele vive na lógica do mundo.
Mas aquele que é filho não é descartado por Deus.
Porque a Palavra diz que nada, nem ninguém, nos separará do amor de Deus que está em Cristo Jesus.
Pedro negou Jesus. E existiam muitos outros que poderiam ser usados por Deus para ocupar o lugar desse discípulo.
Mas Jesus preferiu restaurar o coração do Seu discípulo.
Porque Pedro era um filho. Ele não era descartável.
Ele prefere acreditar, investir e enviá-lo como Seu pastor.
É assim que o Senhor faz conosco.
Ele restaura aquele que é filho. Aquele que está desacreditado.
Muitas vezes, nos colocamos como juízes na vida do outro. Mas, como filhos de Deus, deveríamos acreditar mais nas mudanças e transformações operadas pela mão poderosa de Deus.
Pedro, aquele que negou a Jesus, veio a ser uma das maiores lideranças da história da fé cristã.
Um autor de cartas. Um homem usado por Deus de forma poderosa.
Assim que Jesus foi traído, Pedro O negou publicamente, três vezes.
Foi um fracasso público, humilhante, para o homem que havia prometido morrer por Jesus.
Mas Cristo buscou Pedro após esse fracasso.
Na perspectiva de Jesus, esse insucesso o preparou para liderar a igreja.
Pedro, que antes era orgulhoso, prepotente, ansioso e nervoso, após olhar para os próprios erros e para a misericórdia de Deus, poderia ser um pastor longânimo, paciente, fiel e misericordioso.
Seu orgulho havia sido quebrado. Ele pastorearia de maneira muito diferente dali em diante.
Guarde algo no seu coração:
O seu passado de pecado, após Cristo, não define quem você é.
Não olhamos para Pedro como um fracassado que traiu a Cristo.
Não comparamos Pedro com Judas.
Olhamos para Pedro como um homem de Deus levantado, como um apóstolo que conduz a igreja. Como um homem íntegro, discípulo, cuja vida devemos observar e com quem devemos aprender.
Qual a diferença de Judas para Pedro?
A diferença é que Pedro havia se tornado um filho de Deus.
Dois homens. Mesmo ensino. Mesmo caminho. Mesmo Mestre. Um era filho de Deus; o outro, do diabo.
O Deus a quem nós servimos é um Deus de recomeços.
As quedas podem vir em nossa vida, não como algo que buscamos. Somos pequenos, falhos e fracos.
Mas a Palavra nos diz:
"Eu escrevo e encorajo a vocês para que não pequem. Mas, se alguém pecar, existe um advogado junto ao Pai. Um intercessor junto ao Pai. Este é Cristo Jesus, que roga e intercede por aqueles que são Seus filhos."
Talvez você necessite de um recomeço em alguma área da sua vida.
Deus é especialista em recomeços.
A história de Pedro é um exemplo de recomeço.
Mas tantos outros experimentaram o toque da graça de Deus e o favor do Eterno para recomeçarem.
Deus nos apresenta e nos oferece recomeços.
Que discípulo foi você este ano diante de Deus?
Quais recomeços você precisa, aqui e agora, na sua vida?
Só Deus sabe o que se passa no mais profundo do seu coração.
Mas existe um Deus que faz novas todas as coisas e restaura a nossa esperança.
E, assim como fez com Pedro, nos coloca de pé para vivermos a glória que Ele tem para cada um daqueles que foram feitos Seus filhos.
Pastor Gabriel Monteiro
IBPS
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