quarta-feira, 29 de julho de 2026

Quando a graça expõe nossas intenções

 

Resenha do Culto de Quarta-feira
29/07/2026

Quando a graça expõe nossas intenções

As intenções são tudo aquilo que está no nosso coração antes dos comportamentos e até mesmo dos nossos pensamentos.

As intenções são o que nos move.

Se as intenções são más, elas vão nos levar pelo caminho do mal. Se forem boas, vão nos levar pelo caminho do bem.

Não é à toa que Jesus nos traz uma palavra interessante sobre os nossos olhos: "Se os nossos olhos forem bons, todo o nosso corpo será luz. Mas, se os nossos olhos forem maus, também será trevas. Densas trevas serão."

João 12:1-11

Nós temos Jesus em Betânia, na casa de Lázaro, um amigo de Jesus que havia sido ressuscitado por Ele.

Marta e Maria eram irmãs de Lázaro.

Nesse momento, Jesus está sentado à mesa com essas três personagens.

Há ali alguns outros, entre eles os discípulos de Jesus. Não sabemos quantos.

Um deles, talvez o próprio João, que está narrando a cena e expondo a intenção de cada um. O segundo é Judas.

Havia boatos de que alguns judeus estavam indo até lá.

Não para ver Jesus, mas para ver Lázaro.

A intenção não era ir até o Mestre, mas ver o homem que havia ressuscitado.

Era para ver o milagre.

Não podemos julgá-los, porque, provavelmente, muitos fariam o mesmo caso acontecesse algo semelhante aqui.

Começou a atrair o olhar dos curiosos.

Era isso o que estava acontecendo.

Mas o importante desse texto é a interação entre Maria, Judas e Jesus, além dos judeus que vinham conhecer o milagre que havia acontecido.

Quando Maria se aproxima de Jesus, o texto bíblico diz que ela leva um perfume muito precioso.

Um perfume que valia aproximadamente um ano de trabalho.

Ali, Maria quebra o frasco de perfume, derrama-o aos pés de Jesus e, com os cabelos, enxuga os pés do Mestre.

Geralmente, aquilo que nos é mais precioso carregamos em nosso coração.

Quando temos algo muito precioso, as nossas intenções mudam.

Precioso é aquilo que nos custa algo.

Aquilo de que abrimos mão torna-se sacrificial.

Naquele momento, Maria pega algo que era precioso para ela.

Ela quebra aquele perfume para banhar os pés de Jesus.

Depois, passa os próprios cabelos nos pés do Mestre.

Aquele era um momento de devoção e entrega, mas também de humilhação e rendição pessoal.

Maria estava passando os cabelos nos pés do Mestre.

Não era apenas o valor financeiro.

O ato de entregar-se e humilhar-se diante do Mestre, com carinho, demonstrava que os pés do Messias eram tão preciosos que ela não poderia enxugá-los com qualquer pano.

Por isso, ela os enxuga com os cabelos, com aquilo que ela tem.

Uma cena de louvor!

Quando a graça expõe as nossas intenções, percebemos que nessa cena há mais do que um perfume quebrado e cabelos nos pés de Jesus.

Há uma mulher tentando, simbolicamente, adorar Jesus com tudo o que possui.

A entrega máxima do que ela tem.

Essa era a intenção: entregar o que tinha de mais precioso. Era uma demonstração de adoração ao Mestre.

Aqueles que não entendem os princípios dos dízimos e das ofertas acham que aquilo que estamos entregando é dinheiro.

Na verdade, estamos fazendo uma entrega de adoração.

O dinheiro é o menos importante ali.

Ele é o símbolo da minha renúncia. É o símbolo de que estou entregando algo.

Muitas vezes, temos perdido a dimensão do simbólico.

Nas nossas orações, perdemos a dimensão do simbólico, de muitas vezes nos ajoelharmos diante de Deus e chorarmos na Sua presença.

Achamos que a fé é apenas frieza intelectual, afastando o nosso coração da verdadeira espiritualidade.

O simbólico é o momento em que separo um tempo do meu dia que não negocio.

A dimensão do simbólico na nossa fé vem se perdendo quando achamos que, nos momentos de louvor, não podemos nos emocionar.

Perdemos isso quando chega o Natal e não nos alegramos com o nascimento de Cristo porque Jesus não nasceu em 25 de dezembro.

Isso não importa para nós.

Importa que temos um dia em que simbolizamos e celebramos a alegria do nascimento de Jesus.

Perdemos o simbolismo da nossa fé quando participamos da Ceia sem avaliar o nosso coração.

Quando achamos que o suco de uva e o pão sem fermento são apenas suco de uva e pão sem fermento, sem valor algum.

Sendo que aquilo é um convite à introspecção.

É um símbolo. Uma tentativa de tornar esse momento único.

Perdemos esse simbolismo quando se aproxima a Páscoa e já não refletimos tanto sobre a Paixão de Cristo.

Nos últimos Natais, tenho sentido um apagão nesse simbolismo.

Chega a Páscoa e parece a mesma coisa.

Porque não estamos entendendo que existem símbolos que nos convidam à introspecção.

Importa aquilo que eles produzem em nosso coração.

É isso que Maria está fazendo.

Quando ela entrega, está entregando simbolicamente tudo.

Se temos as intenções de Maria, que são boas e nos ensinam a ter uma entrega mais profunda, agora veremos outra intenção: a fala de Judas.

João 12:4-6

Se, por um lado, temos Maria entregando, por outro vemos a figura crítica de Judas.

Judas reage ao ver o valor do perfume derramado aos pés de Jesus.

Tenho a sensação de que, naquele momento, ninguém estava falando.

Todos olhavam, comovidos, em silêncio.

Mas alguém reage.

E a primeira figura que reage é justamente aquele que se incomoda com a adoração, com a entrega que está sendo realizada.

Naquele momento, Judas diz que aquilo poderia ser vendido e o dinheiro entregue aos pobres.

Interessante que ele vem com uma boa máscara.

Parece que a intenção é boa.

A aparência é boa.

O problema é que o coração dele era reativo por causa da adoração.

A graça de Deus expõe as nossas intenções, porque só há duas formas de reagirmos a ela.

Quando o ser humano tem contato com a graça de Deus, ela é tão irresistível que ou nos curvamos em adoração, ou reagimos contra ela.

Só existem duas formas de reagirmos diante da graça de Deus: ou ela nos chama para uma entrega total, ou damos um passo para trás.

As intenções de Judas envolviam roubar aquelas moedas.

Não à toa, ele traiu Jesus por muito menos que trezentos denários.

Diante de algo tão grandioso, Judas só conseguia pensar em bens materiais.

O problema das intenções do nosso coração é que, quando ele está corrompido, podemos estar diante da coisa mais sagrada, e ela se torna irrelevante para nós.

Para uma pessoa cética, nem mil milagres conseguem convencê-la.

Mas, para uma pessoa de fé, nem um milagre é necessário.

Judas está diante de um ato de adoração.

Está diante do Messias vivo.

Estamos nos aproximando do período da morte de Jesus e, mesmo diante do Messias, reunido na comunhão dos santos e em um momento de adoração, ele consegue pensar apenas no material.

Ele corrompe o próprio coração pelas coisas mais simples.

A graça revela as nossas intenções.

Quando estamos no meio do povo de Deus e o Espírito de Deus se faz presente, o nosso coração é revelado.

Não apenas esse texto diz isso.

O salmista afirma que Deus sonda o nosso coração e nos conhece.

Da mesma forma, o Evangelho de Lucas diz que nada do que está oculto permanecerá oculto.

Tudo será trazido à luz.

Quando nos aproximamos de Deus, as nossas intenções são reveladas.

Qual é o mínimo de envolvimento que preciso ter na igreja para continuar na lista dos salvos?

Qual o mínimo de oração que preciso fazer durante a semana?

Até onde posso ir?

Até quando ainda não perdi o jogo e caí na eternidade sem Deus?

Quantos casais perdem o relacionamento por fazerem apenas o que consideram o mínimo?

O mesmo acontece com o nosso relacionamento com Deus.

Às vezes, nas nossas intenções, estamos fazendo apenas o mínimo, não porque queremos adorá-Lo e estar na Sua presença, mas porque não queremos passar uma eternidade longe d'Ele.

Adoramos a Deus não por Quem Ele é, mas porque estamos procurando um Deus que, de alguma forma, vai nos abençoar.

Achamos que buscamos a Deus com a intenção de receber algo em troca.

Judas estava presente quando Jesus ensinou que não deveríamos ajuntar tesouros na terra.

Ele conhecia todos esses ensinamentos.

Mas seu coração estava tão corrompido que sua intenção era seguir a Cristo apenas pelo que poderia receber.

A graça de Deus expõe o nosso coração, porque nada do que está oculto permanecerá oculto diante d'Ele.

Temos a cena de Maria, em um ato de adoração.

Temos a cena de Judas, expondo a corrupção do seu coração e recebendo uma resposta de Jesus.

E temos uma terceira intenção: a daquele povo que estava indo até lá.

João 12:9

No ministério de Jesus, recordo-me de algumas passagens.

Uma delas é quando Jesus multiplica os pães e os peixes.

Depois desse milagre, Ele continua Sua caminhada para outra região.

Muitas pessoas O seguiam.

Não por Quem Jesus era, mas por causa da comida.

As pessoas seguiam o Messias porque queriam comer.

A intenção dos seus corações era estar ali por causa do banquete.

Quantas vezes as nossas intenções também estão apenas nas multiplicações que Deus pode fazer na nossa vida!

Em vez de nos assentarmos à mesa com Jesus, queremos apenas que Ele multiplique a nossa mesa.

Somos convidados a sentar-nos à mesa de Cristo e cear com Ele.

Na Ceia de Cristo há alimento para todos, mas nós queremos apenas que Ele multiplique aquilo que está na nossa mesa.

Queremos um banquete para nós.

Se o Messias vai ou não jantar em nossa casa, isso pouco importa.

Essa multidão vai até lá não apenas por causa de Jesus, mas para ver Lázaro, que havia sido ressuscitado.

A intenção era o espetáculo, a curiosidade.

Uma grande multidão estava indo para ver a ressurreição de um homem, e não Aquele que tinha poder para ressuscitar.

Quando Jesus cura os dez leprosos, apenas um volta para agradecer ao Mestre.

A graça de Deus manifesta as intenções do nosso coração.

Temos o exemplo de Maria, que, diante da graça de Deus, foi capaz de se humilhar diante do Mestre e entregar tudo o que possuía.

Temos o exemplo de Judas, que, diante da graça de Deus, revoltou-se e desejou tomar aquilo para si.

E temos o exemplo da multidão.

Não é um exemplo totalmente negativo nem positivo.

A multidão é apenas multidão.

Ela apenas vai.

Se temos três cenários, talvez eu possa me identificar com um deles.

Posso ser como Maria, cuja intenção do coração é um verdadeiro ato de louvor.

Posso ser como Judas, que se incomoda com o louvor, com a comunidade de fé e com a comunhão dos irmãos.

Ou posso ser como a multidão, que vai onde há espetáculo, onde está o interesse do momento, onde há comida ou entretenimento.

Enquanto houver entretenimento, estou ali.

Mas, quando isso acaba, eu me desligo.

Essa é a multidão.

Ela vai.

Está presente.

Mas não pertence verdadeiramente àquele lugar nem entrega o seu louvor.

Que possamos avaliar com qual dessas personagens nos parecemos.

Que o Senhor Deus ministre essa verdade aos nossos corações, para que entendamos aquilo que temos de mais precioso para entregar.

E que possamos entregar isso a Deus sem reservas, porque aquilo que é mais precioso revela onde está o nosso coração.

Amém?

Irmão Daniel Monteiro
IBPS

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