Resenha do Culto de quarta-feira
21/10/2026
“O legado da Reforma”
Conhecer a respeito da nossa história é conhecer a nós mesmos.
No dia 31 de outubro, celebramos 509 anos da Reforma Protestante. Esse movimento nasceu no Senhor.
Estamos aqui reunidos como igreja porque, um dia, a luz de Deus raiou em meio à igreja, que havia mergulhado na escuridão.
Estamos falando de um movimento de resgate. Estamos falando de algo que acontece como um retorno ao Evangelho puro e simples.
Você, como cristão protestante e batista, precisa saber a respeito da raiz que configura aquilo que somos como igreja.
A Reforma Protestante foi um movimento extremamente longo. Temos seu ápice em Martinho Lutero. Mas, antes de Lutero, muitos pré-reformadores se levantaram, querendo trazer a igreja de volta à centralidade da Palavra de Deus.
Temos tantos nomes que buscaram trazer a igreja para a centralidade da Palavra e foram mortos, queimados e martirizados por afirmarem que a Bíblia é a máxima autoridade diante do povo de Deus.
Foram muitas perseguições até que, no ano 313 depois de Cristo, a igreja passou a ter liberdade de culto.
No ano 325, ela é reconhecida como uma igreja potente, uma igreja poderosa, uma igreja admirada.
E, no ano 380 depois de Cristo, o Império Romano se torna cristão.
Torna-se cristão não apenas porque se converteu à fé ou se converteu a Cristo.
Naquele contexto, o sangue dos mártires era derramado, e os cristãos só se multiplicavam.
A história conta que o imperador romano Constantino teve uma visão. Ele viu um estandarte, a cruz, e a colocou como emblema. Enfrentou uma guerra interna no Império, venceu a guerra e, a partir desse momento, tornou-se simpatizante do cristianismo.
Agora, aqueles que eram mortos pela fé, aqueles que se reuniam nas casas, podiam sair e prestar culto. A partir do ano 380, começa a construção de templos.
E aqui começa o pior casamento da história, porque, todas as vezes que a igreja e o Estado se casaram, nasceu um filho feio.
Naquele momento, o Império Romano começa a legislar dentro da igreja, e a igreja, dentro do Império.
É assim que os desejos dos homens passam a interferir na Palavra de Deus.
Mas, do ano 380 até o ano 1500, período em que ocorre o ápice da Reforma Protestante, a igreja passa por transformações.
Aqueles que eram perseguidos pelo Evangelho se veem na posição de mais poderosos da história.
Naquele tempo, Pedro disse:
“Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho te dou. Levanta e anda.”
Hoje, Pedro não precisaria dizer mais isso, porque a igreja tem prata e ouro.
E um reformador, comentando sobre isso, afirma:
“Mas hoje, ela também não pode dizer: ‘Levanta e anda.’”
Nesse momento, temos deturpações e muitas doutrinas contrárias à Palavra de Deus sendo criadas com objetivos pessoais de lideranças e autoridades. Figuras são instituídas no seio da igreja cristã, como a figura papal e a dos sacerdotes.
A Palavra de Deus, até então destinada ao povo, torna-se exclusivamente acessível à igreja. Ela é traduzida para o latim, que é a língua sacerdotal. Ou seja, ninguém tem acesso à Palavra de Deus. Ninguém tem mais acesso às Escrituras. A igreja se torna detentora do conhecimento, da autoridade e do poder sobre o povo.
Naquele contexto, doutrinas como a veneração e o culto aos santos, o uso de imagens, o purgatório e tantas outras são criadas pela igreja. É nesse contexto que a Reforma acontece.
Um monge chamado Martinho Lutero era um homem tão dedicado que se penitenciava diariamente, com chicotadas, privação de alimentos e orações sobre objetos que o machucavam.
Por vezes, os monges tinham que arrombar a porta do quarto de Lutero porque ele passava dias em jejum diante de Deus.
Lutero dizia precisar disso por reconhecer o quanto era real a sua natureza pecaminosa.
Lutero era um monge e professor de teologia da igreja.
A história conta que, um dia, enquanto estudava a Carta aos Romanos, especialmente Romanos 1:16-17, Lutero teve acesso ao texto bíblico original. Existia um homem chamado Erasmo de Roterdã, que traduziu a Bíblia do latim para o grego original. Assim, Lutero passou a ter acesso à Bíblia no original.
E, assim, ele começa a perceber alguns pontos importantes.
Romanos 1:16-17
Aqui, temos a luz do Espírito Santo abrindo os olhos de um homem que, ao estudar a Palavra de Deus no original, percebe que a justiça de Deus não era uma justiça condenatória. Ele percebe que o texto apontava para a justiça de Deus como um ato pelo qual Deus declara justo o homem à medida que ele crê.
Naquele momento, as vendas dos olhos daquele homem caem.
Isso acontece porque a visão doutrinária da igreja, até então, caminhava por uma perspectiva humana: fazer para que Deus aceite, tentar alcançar os céus pelas próprias mãos!
A penitência era justamente isso.
E aquele homem começa a perceber que nós, como igreja, estávamos distantes do propósito original de Deus, revelado pelas Sagradas Escrituras.
Então, Martinho Lutero escreve noventa e cinco teses, que são fixadas na porta do Castelo de Wittenberg, na Alemanha. Aquele era um local destinado a que estudiosos fixassem suas teses para que pudessem ser debatidas.
Lutero não visava romper com a igreja.
Lutero amava a igreja.
Lutero visava reformá-la, trazê-la de volta ao fundamento bíblico, fazer com que ela pudesse abandonar a doutrina humana e voltar para a Palavra de Deus.
Aquilo não foi bem aceito, porque o contexto social da época era marcado pela reforma da Basílica de São Pedro, no Vaticano, pela Igreja Católica, e os custos eram muito altos. Naquele momento, a igreja institui a prática das indulgências.
As indulgências eram pagamentos monetários à igreja em troca do perdão dos pecados.
Nesse momento de intensa escuridão quanto à pureza do Evangelho de Cristo, esse homem se levanta propondo uma grande Reforma.
Seus escritos ganham muitos adeptos e, com isso, intensifica-se seu confronto à venda de indulgências.
“Como poderei comprar a salvação se a justiça de Deus se manifesta pela fé?”
Naquele contexto, a igreja se levanta contra aquele homem.
Ele é convidado a se retratar de suas ideias, que estavam incendiando a Alemanha.
Então, Martinho Lutero é convocado diante do rei, com todo o sistema da Igreja Romana contra ele.
Mas ele não se rende.
Pela providência divina, ele é livrado daquele momento. Fica em um castelo e, durante anos, dedica-se a traduzir a Bíblia para o alemão, para que o povo pudesse conhecer o Senhor.
Esse homem se levanta como uma voz, alguém que Deus levantou para libertar a consciência do povo, cativa ao erro.
Um retorno à Palavra de Deus.
Você tem ideia do que é não ter acesso à Palavra e ter que acreditar em tudo o que um líder religioso diz?
Vivíamos, naquele momento, um contexto de distanciamento da verdade.
A Reforma Protestante caminhou sobre cinco solas:
- Somente as Escrituras.
- Somente Cristo.
- Somente a glória de Deus.
- Somente pela fé.
- Somente pela graça.
Gostaria de trazer alguns legados da Reforma Protestante e mostrar como isso toca a nossa vida hoje.
1. A Palavra de Deus como única autoridade sobre a igreja e sobre a vida
Lutero dizia:
“Nós nunca faremos tão bem quanto a Palavra faz.”
O que gerou o grande cisma da Reforma foi o fato de Lutero e os reformadores compreenderem que a Palavra de Deus está acima de qualquer instituição, de qualquer movimento e de qualquer autoridade humana.
A Palavra de Deus é a autoridade máxima de fé para o seu povo.
Nós somos guiados pela Palavra. Somos convocados a permanecer com a Palavra de Deus, independentemente de quem seja essa autoridade. Se somos filhos de Deus, temos que ter a Palavra como nossa regra de fé e prática.
Apenas a Bíblia é o guia seguro para aqueles que creem em Cristo Jesus. A sabedoria divina é maior do que qualquer sabedoria humana.
Naquele contexto, os cristãos não tinham acesso à Palavra; apenas os sacerdotes da igreja tinham esse acesso.
Mas vivemos dias em que os cristãos têm acesso à Palavra, e a pergunta é:
Você tem feito bom proveito do Livro do Espírito que está diante de você?
O cristão sem Bíblia está desnutrido. O cristão sem Bíblia está com sua alma definhando. O Espírito trabalha a partir da Sua Palavra.
Lutero dizia que precisamos usar as três regras de Davi na leitura da Palavra. Ele diz:
O crente, antes de ler a Bíblia, deve orar, clamando ao Deus da Palavra que ministre a Sua Palavra.
O crente deve meditar no que está lendo.
O crente deve lutar com a Palavra. Deve vivê-la como algo que se materialize diante de seus olhos.
Um legado da Reforma é a Bíblia em suas mãos.
Um legado da Reforma é o entendimento de sua autoridade.
Ser cristão é ser submisso e discípulo de Cristo, vivendo uma vida diária de obediência e de fé verdadeira por meio da obediência. Uma obediência que nos leva a abandonar pecados, mudar a rota e ser pessoas justas.
Como você será obediente a Deus se não sabe o que Deus quer que você obedeça?
Tudo está claro nas páginas da Bíblia. Você precisa ler a Palavra de Deus.
Sem ela, estamos perdidos.
A Reforma Protestante nos trouxe a compreensão de que a convicção doutrinária é essencial.
A partir do momento em que a consciência de Martinho Lutero esteve cativa à Palavra de Deus e às verdades contidas naquela Escritura, ele estava pronto a dar a sua vida pela verdade, porque estava certo de que a salvação é por meio da fé em Cristo Jesus.
“Estou certo de que nem morte, nem vida, nem coisa alguma vai me afastar do amor de Deus, pois creio em Cristo Jesus.”
Vivemos um tempo em que precisamos olhar para os reformadores.
Porque a igreja moderna tem perdido as convicções doutrinárias. Tem perdido aquilo que é absoluto.
A Bíblia é repleta de absolutos. A Bíblia é repleta de fundamentos imutáveis.
Os absolutos de Deus não mudam. Permanecem.
Nós precisamos ser fiéis e ter absolutos.
O que aconteceu com esse povo que negocia valores para se assentar à mesa dos influentes deste tempo?
Muitas vezes, temos aberto mão das convicções da nossa fé para nos assentarmos à mesa dos bacanas deste tempo! Pessoas que odeiam a Deus, abrindo mão das convicções do Evangelho e de suas verdades, calando-se diante da oportunidade de evidenciar a verdade.
Triste!
Precisamos dessa santa convicção de que aquilo que está contido na Palavra de Deus é a verdade.
“Não negociamos a verdade.”
Você tem mantido firmes suas convicções como um cristão verdadeiro ou as tem relativizado para caber nas suas vontades e nos seus desejos?
Entristece-me ver cristãos defendendo o aborto.
Falta de convicção doutrinária.
Falta de convicção na Palavra de Deus.
Há pessoas que defendem a legalização das drogas.
Precisamos de convicção doutrinária.
Esses homens tiveram convicção doutrinária.
Esses homens morreram pela verdade de Cristo.
O cristão precisa ter convicção no Senhor.
2. A doutrina da justificação pela fé somente
Essa doutrina é o coração do Evangelho.
Romanos 1:17
“O justo viverá pela fé!”
A doutrina da justificação pela fé é a nossa identidade como protestantes. É a nossa identidade como povo de Deus.
Essa doutrina consiste no fato de o Deus santo e poderoso declarar justos aqueles que não são dignos da justiça.
É Deus tornar você Seu filho, mesmo você não sendo merecedor disso.
Dentro da justificação pela fé, temos a adoção, a imputação e a dupla imputação.
Sabe o que é isso?
Cristo, naquela cruz, recebeu a imputação dos seus pecados. E a justiça dEle é imputada a você.
Deus olha para aquele que crê e vê as obras do Filho.
Se Deus olhar para você e para as suas obras, o seu destino será o inferno.
Mas Ele olha para você e vê as obras do Filho.
Essa é a Boa-Nova do Evangelho.
Qual é a diferença entre a visão protestante e a visão católica romana?
Na visão católica romana, acredita-se no mérito e nos sacramentos. É preciso fazer para alcançar.
Não! A Bíblia nos aponta que Cristo fez para que alcançássemos. Fazemos porque fomos alcançados.
Glória a Deus por isso!
Se a minha salvação estivesse nas minhas mãos, eu a perderia.
2 Coríntios 5:21
A doutrina da imputação é a joia da Reforma.
Porque, a partir da fé somente, foi desacreditada a visão do purgatório, a visão da busca e adoração aos santos e a visão do pagamento de indulgências.
Só Cristo pode nos salvar.
Só Cristo pode nos levar a Deus.
Só Cristo pode lavar a nossa alma do pecado. Só Cristo pode nos reconciliar com Deus. Só Cristo pode levar sobre Si os nossos pecados.
Mais ninguém. Somente Cristo!
E esse Cristo derrama a Sua graça sobre nós.
Efésios 2:8
“Isso não vem de vocês!”
Onde está o nosso orgulho e o nosso mérito?
Eles são esvaziados no Evangelho.
A justiça de Cristo engole todos os nossos pecados em um único instante, no dia em que cremos no Senhor.
Somente a graça!
Diante de tudo isso, glorificaremos apenas a Deus.
Somente a glória a Deus!
3. A doutrina da união do crente com Cristo
Jesus não apenas morre na cruz.
A sua fé em Cristo não apenas lhe dá a salvação, mas também o torna um com o Senhor.
O crente é morada do Espírito Santo de Deus.
Agora, você recebe os benefícios da união do crente com Cristo.
Romanos 8:30
Preste atenção no tesouro dessa palavra de Paulo.
A glorificação chegará, mas Paulo já a tem como certa.
Aqueles que foram alcançados por Cristo têm a garantia da salvação. Foram selados pelo Espírito Santo da promessa.
A salvação genuína, o crente a recebe como um selo na alma.
O Senhor Jesus diz:
“Aqueles a quem meu Pai me deu, nenhum se perde.”
Nós temos segurança nas mãos de Jesus.
“Que segurança! Sou de Jesus e já desfruto das bênçãos da luz.”
Isso é convicção doutrinária.
A música, como instrumento educativo, também é um legado da Reforma.
Se há algo que a Reforma trouxe para o coração do homem, é o esvaziamento do orgulho.
A Reforma Protestante deixou livros, deixou a tradução da Bíblia, deixou escolas, seminários e visões doutrinárias a respeito da verdade. E nós, enquanto batistas, somos parte disso.
Porque existe um lema:
“Igreja reformada, sempre reformando.”
Eu penso que os nossos tempos carecem de uma grande Reforma.
Porque, no meio evangélico brasileiro, há muita heresia.
As vendas de indulgências continuam por aqui, agora nos púlpitos de falsos pregadores da teologia da prosperidade, dos coaches e de gente vendendo água do rio Jordão e pedaços de madeira.
Precisamos retornar à Palavra de Deus.
O que Deus disse, cremos. Quanto ao que Deus não disse, precisamos ter cuidado, porque a nossa consciência deve estar cativa à Palavra de Deus.
Eu te incentivo a estudar mais sobre a Reforma. Aprenda sobre aquilo que nos move como igreja de Cristo.
Pastor Gabriel Monteiro
IBPS
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